A Ponte Mirabeau
Sob a ponte Mirabeau desliza o Sena
E os nossos amores
É bom lembrar, vale a oena.
Que a alegria sucede aos dissabores
A noite vem passo a passo
Os dias se vão eu não passo
As mãos nas mãos estamos face a face
Enquanto passa
Sob a ponte de nossos braços
A onda lenta de um eterno cansaço
A noite vem passo a passo
Os dias se vão eu não passo
O amor se vai como esta água barrenta
O amor se vai
Como a vida é lenta
E como a esperança é violenta
A noite vem passo a passo
Os dias se vão eu não passo
Passam-se os dias passam-se as semanas
Nada do que passou
Volta de novo à cena
Sob a ponte Mirabeau desliza o Sena
A noite vem passo a passo
Os dias se vão eu não passo
Tradução de Ferreira Gullar...
Le Pont Mirabeau
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
L'amour s'en va comme cette eau courante
L'amour s'en va
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure
Guillaume Apollinaire, Alcools (1913)
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
O poema da sexta-feira
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Vichy
Domingo, 5 de Julho de 2009
La France
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
O Poema da sexta-feira
Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.
Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...
Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me náufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...
Álvaro de Campos
Fernando Pessoa
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Viagem

Escolhi, para ler no trajeto, Memorial do Convento. Leio e depois deixo lá para minha irmã ler. Tentei salvar alguns livros no ipod (para ouvir em inglês)meu aluno me emprestou, só consegui salvar um, o livro do Obama e quando fui tentar os outros o ipod ficou bloqueado, o computador também entrou num clima estranho, tive que reiniciar e ainda por cima não sabia como desbloquer o ipod. Depois de muito apertar botões procurei na internet e descobri em quais exatamente eu tinha que apertar e por quanto tempo, 10 segundos. Importante esses 10 segundos porque eu já tinha apertado naqueles botões, no caso, o do menu e o do meio...se você algum dia tiver o mesmo problema, já sabe.
Ainda tenho que ir ao médico hoje, depilar se der tempo, escolher alguns presentes, dar as últimas aulas e voilà.
Felizmente consegui terminar a leitura de Os Irmãos Karamázov antes da viagem, não queria levar aquele livro tão grande comigo, mas também não queria abandoná-lo aqui antes de terminar. Este eu vou repassar para meu irmão assim que nos encontrarmos, já viram que eu gosto de repassar livros, não? Claro que um dia eu vou querer reler alguns deles, mas estarão em família ou com amigos, na pior das hipóteses, eu compro outro, é melhor do que deixar ali parado na estante por dez anos.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
TEORIA DOS CONJUNTOS
Cada corpo tem
sua harmonia e
sua desarmonia
em alguns casos
a soma das harmonias
pode ser quase
enjoativa
em outros
o conjunto
de desarmonias
produz algo melhor
do que a beleza
Mário Benedetti
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Neda´s Voice
Neda Agha Soltan é a iraniana que foi assassinada estes dias durante os conflitos no Irã. Morreu nos braços do pai, como se pode ler no texto abaixo. Alguém filmou tudo, é terrível, mas o vídeo está circulando o mundo todo e talvez Neda esteja se tornando um símbolo. Eu vi o vídeo no blog do Pedro Doria onde tenho acompanhado um pouco os acontecimentos, leio também o que vem publicando André de Leones que está em Israel.Leiam o texto e visitem a página NEDA'S VOICE. Há textos belíssimos ali e talvez ajude a conhecer melhor um pouco do horror pelo qual estão passando.
"Yesterday I wrote a note, with the subject line “tomorrow is a great day perhaps tomorrow I’ll be killed.” I’m here to let you know I’m alive but my sister was killed…I’m here to tell you my sister died while in her father’s hands
I’m here to tell you my sister had big dreams…
I’m here to tell you my sister who died was a decent person… and like me yearned for a day when her hair would be swept by the wind… and like me read “Forough” [Forough Farrokhzad]… and longed to live free and equal… and she longed to hold her head up and announce, “I’m Iranian”… and she longed to one day fall in love to a man with a shaggy hair… and she longed for a daughter to braid her hair and sing lullaby by her crib…my sister died from not having life… my sister died as injustice has no end… my sister died since she loved life too much… and my sister died since she lovingly cared for people…"
Sábado, 20 de Junho de 2009
Minha querida Sputnik - trecho
“Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. À distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas só por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada.”Trecho de ‘Minha querida Sputnik’ – Haruki Murakami
....Encontrei na internet este trecho de Minha Querida Sputnik e achei bonito. Sputnik significa companheiro de viagem em russo, aqui nessa história são duas mulheres viajando juntas e Sumirê está completamente apaixonada pela outra, mais velha, cujo nome eu me esqueci. Elas vão para a Grécia e....
....
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
O Poema da sexta-feira
Edgar Allan Poe
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Tradução: Fernando Pessoa
...
Annabel Lee
Edgar Allan Poe
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but
I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Nina Simone em Vale a pena ouvir de novo
...
My baby don't care for shows
My baby don't care for clothes
My baby just cares for me
My baby don't care for cars and races
My baby don't care for high-tone places
Liz Taylor is not his style
And even Lana Turner's smile
Is somethin' he can't see
My baby don't care who knows
My baby just cares for me
Baby, my baby don't care for shows
And he don't even care for clothes
He cares for me
My baby don't care
For cars and races
My baby don't care for
He don't care for high-tone places
Liz Taylor is not his style
And even Liberace's smile
Is something he can't see
Is something he can't see
I wonder what's wrong with baby
My baby just cares for
My baby just cares for
My baby just cares for me
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Domingo, 14 de Junho de 2009
A Teus pés
Reli estes dias o livro de Ana Cristina César, A Teus pésé bem pequeno no formato e também no número de páginas, pouco mais de 100. Gosto muito de alguns textos, outros me tocam menos, ou não entendendo, sei lá. Um dos meus preferidos é este:
Olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas.
Mas há outros, mais longos e que me dá preguiça de digitar agora. Foi interessante reler este livro pelo que ele oferece, entretanto, fora da leitura, o que me ocorreu foi uma reflexão sobre este volume que está aqui comigo. Ele me foi oferecido por uma antiga colega de trabalho, éramos amigas também...estávamos tentando uma amizade, acho. Faz muito tempo já. Mas o livro não me foi oferecido assim como um presente ‘normal’, na verdade ela tinha recebido de presente de uma ex amiga e, como tinham se desentendido feio ela não quis conservar o livro, repassou. Ainda tem aqui a dedicatória que a ex amiga escreveu para ela, um texto ingênuo, mal escrito, mas com ar de sinceridade, de admiração pela pessoa a quem está oferecendo o livro.
Minha amiga e eu nos desentendemos também no final das contas, isso deve ter sido lá pelo ano de 1996, nunca mais nos falamos, eu voltei para a Europa com (licença, Roberto Carlos) ‘a cabeça cheia de problemas’ (não por causa dela, problemas maiores) e me voilà, tantos anos depois percebo que pouco pensei no assunto. O livro eu não repassei. Nossa amizade não tinha se solidificado, é verdade. É estranho pensar no caminho de um livro, não é?
....
Gostaria de agradecer muitíssimo a uma leitora, Tati, que deixou um comentário no post sobre E o Vento levou sugerindo que eu virasse o DVD para ver o restante do fime. Nem imaginava que existisse isso de virar dvd, queimei meus neurônios tentando descobrir onde estaria a outra metade daquele filme. Que vergonha! Obrigada mesmo.
Agradeço também a Sônia que, mesmo tendo deixado o blog dela de lado, sempre passa por aqui e deixa comentários simpáticos, lê meus contos no outro blog, comenta aqui. É muita gentileza.
Agradeço a todos os que acompanham o meu blog, alguns não têm blog e não posso retribuir, os outros eu tento visitar e comentar na medida do possível. Há blogs que acompanho há anos e talvez eu nunca encontre as pessoas por detrás deles. É estranho quando se pensa.
...
Dentro de alguns dias vou para a Europa por um mês e pouco, como já disse aqui antes, vou fazer um curso para professores de Francês em Vichy, vou visitar a minha amiga (aquela com quem fui para o Chile) no Sul da França, minha irmã em Bruxelas, talvez um amigo em Barcelona porque está bem pertinho do Sul da França. Ainda estou decidindo, só decido na última hora. Enquanto isso muitas coisinhas chatas para resolver por aqui...
...Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
O Poema da sexta-feira
Ruídos confusos, claridade incerta.
Outro dia começa.
Um quarto em penumbra
e dois corpos estendidos.
Em minha fronte me perco
numa planície vazia.
E as horas afiam suas navalhas.
Mas a meu lado tu respiras;
íntima e longínqua
fluis e não te moves.
Inacessível se te penso,
com os olhos te apalpo,
te vejo com as mãos.
Os sonhos nos separam
e o sangue nos reúne:
Somos um rio que pulsa.
Sob tuas pálpebras amadurece
a semente do sol.
O mundo
No entanto, não é real,
o tempo duvida:
Só uma coisa é certa,
o calor da tua pele.
Em tua respiração escuto
as marés do ser,
a sílaba esquecida do Começo.
Octavio Paz
Tradução Antônio Moura
Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Pró-vida?
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Domingo, 7 de Junho de 2009
E o Vento Levou
13 graus, meus pés estão gelados. Agora acabei de ligar um aquecedor ultramoderno que temos aqui (foi ironia, nunca vi aquecedores dignos do nome no Brasil, deve haver, mas nas casas dos ricos). Muita gente pensa que eu não devia sentir frio já que morei tantos anos na Europa, no norte além do mais, mas eu sinto, sinto mais frio aqui do que lá quando estou dentro de casa. Eu gosto mais do frio do que do calor, mas prefiro assim, vamos dizer, uma temperatura entre 15° e 25°. Um professor aqui da escola, francês, disse que ele também já sentiu mais frio aqui do que na França. Quem mandou a gente se enfiar no Sul? O Brasil é grande e cá estamos nós...Brincadeira, ainda estou de bem com a cidade, e prefiro passar por isso a sentir aquele calor infernal o ano todo, me dá até dores de cabeça. As God is my witness, as God is my witness they're not going to lick me. I'm going to live through this and when it's all over, I'll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I'll never be hungry again.
Outro filme que se passa em Atlanta, este bem mais bonito (eu acho) é Conduzindo Miss Daisy. Eu o tinha visto há muitos e muitos anos, mas o revi quando estava em Atlanta. A primeira vez que o vi não tinha idéia nenhuma do contexto e do papel de Atlanta vista como capital do sul.
Aqui a famosa cena de Scarlett dizendo que nunca mais vai passar fome:
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Ainda a polêmica em torno do livro de Tezza
Eu tinha reproduzido aqui parte de uma reportagem sobre o estardalhaço que algumas professoras do estado de Santa Catarina fizeram a respeito da escolha do livro de C. Tezza para trabalho com alunos, se não me engano, entre os 15 e 17 anos, ou seja, bem grandinhos. Nem todo mundo concordou comigo que é exagero a retirada dos livros e leram uma pequena parte da obra que foi publicada em algum jornal. Esse extrato era realmente bem "pesado" (por falta de palavra melhor agora), eu também o tinha lido, mas, como o autor e como uma professora de Santa Catarina (e esta leu o livro todo) eu achava que era difícil julgar a obra de 142 páginas por aquele trechinho. Não chamo de censura, concordo que existe livro mais ou menos adequado para certas pessoas/idades....sei lá. Os professores também têm que se sentir confortáveis, claro, mas eu ficaria contente se aproveitassem para rever as suas práticas antes de condenarem um livro e de subestimarem a capacidade dos alunos.
Texto de C. Tezza sobre a proibição do seu livro:
“Entre os danos materiais, está o dano moral do autor ao ver um trecho de seu próprio livro, duas ou três linhas, ser reproduzido nos jornais como se fosse um hai-kai, e não parte de um romance de 142 páginas, em que cada palavra se relaciona com o todo e é voz de um narrador-personagem capaz de dar significado à sua linguagem. Notem: não faço uma apreciação de valor. É simplesmente um dado técnico para o leigo entender como uma narrativa produz sentido."
O resto do texto pode ser lido aqui:
...
Aqui o comentário que a professora deixou lá no post:
Sou professora do ensino médio e garanto a vocês que o livro está adequado sim para os alunos. Li o livro na íntegra, não podemos justificar nossa opinião se apenas lemos um trecho. Inadequada é a postura de muitos educadores que negam ou ignoram nossa realidade social e perdem a chance de fazer um ótimo trabalho com os alunos. Em uma pesquisa que fiz com minhas turmas, constatei 80% deles têm acesso diário a sites pornográficos. A função da escola é ensinar o aluno a questionar essa realidade em vez de fingir que isso não acontece. Considero que o livro é muito profícuo para levantar tais questionamentos. Uma sociedade de ignorantes é também uma sociedade perigosa. A decisão foi arbitrária, pois a maioria dos professores não teve acesso aos livros.
Sylvia Plath
Trecho do livro A Redoma de Cristal (The Bell Jar) que o Kovacs resenhou lá no seu mundo.
o poema da sexta-feira
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?
Ferreira Gullar
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
I Put a Spell On You
I put a spell on you
cause youre mine
You better stop the things you do
I aint lyin
No I aint lyin
You know I cant stand it
Youre runnin around
You know better daddy
I cant stand it cause you put me down
Domingo, 31 de Maio de 2009
Livro de Cristovão Tezza é proibido em escolas de Santa Catarina
Mais de 130 mil exemplares do romance Aventura Provisória foram recolhidosA determinação partiu da Secretaria de Estado da Educação há cerca de duas semanas. O motivo teria sido o uso de palavras inadequadas, segundo avaliação de professores que tiveram acesso ao título antes da distribuição aos alunos do ensino médio da rede estadual. O conteúdo descreve, por exemplo, trechos de relações sexuais (leia trecho abaixo).
Segundo nota divulgada nesta quinta-feira, pela secretaria, a "aquisição (dos livros) deu-se pelo processo licitatório nº 088/08 ao custo unitário de R$ 11,75".
Continua aqui.
...
Leiam aqui:
"— O vocabulário é exagerado e essas palavras queremos extingui-las da boca dos alunos, banir do ambiente escolar. O aluno não está preparado para receber esse conteúdo — avalia Maria Gorete."
Julgam um livro pelo número de palavrões e descrições eróticas que não devem ser novidade nenhuma para as supostas 'crianças'. Não é com professores assim que os alunos vão aprender a gostar de ler, isso é certo. Mas eu conheço um pouco o gênero, já trabalhei em escolas assim, nem tinha saído da universidade ainda quando fui dar aulas de português - durou dois meses - em uma escola do estado que tinha uma equipe deste naipe. A coordenadora me odiava, nunca entendi bem o porquê. Os alunos, em compensação me adoravam. Eu me lembro da hipocrisia das professoras, na sala dos professores contavam coisas escabrosas e na frente dos alunos pareciam umas carolas. Não digo que deviam fazer confidências aos alunos, mas não achava aquela postura coerente, era muito fingimento, aquela coisa do 'faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço'.
Bom, o Cristovão Tezza não saiu sapateando, foi super elegante, preferiu ficar neutro e disse que os professores devem decidir se adotam seu livro ou não. O que ele pode fazer?
Só sei de uma coisa, agora estou com vontade de ler este livro....já que passei dos 18 acho que posso.
Sábado, 30 de Maio de 2009
Passe os livros adiante

Há sempre alguém sentado sozinho numa mesa para quatro pessoas na praça de alimentação lotada. Os outros clientes, com a bandeja de comida na mão, rodopiam pelos corredores como Charles Chaplin em cena do filme Tempos Modernos. Eu me espanto com essa cena no Brasil. Fora daqui, não haveria constrangimento em dividir a mesa com desconhecidos. Aqui vale a cultura da individualidade. Cada um na sua.
A história se repete quando se trata de livros. Preferimos guardá-los em casa e expô-los nas estantes como troféus de erudição em vez de dividí-los. É comum ouvir gente dizendo que não gosta de emprestar livros para quem não os devolve. E para quê devolver? Não seria melhor passá-los adiante, fazê-los circular, deixá-los encantar outras pessoas? Considero a doação de livros um dos gestos mais generosos de quem quer contribuir para o desenvolvimento do país e da Educação.
Em boa parte das bibliotecas das escolas, quando há bibliotecas e livros, a lista de itens inúteis costuma ser longa, todos doados por alguma alma “bondosa”. Encare a verdade. O que doamos? Livros antigos e desatualizados. Livros desinteressantes, principalmente os que recebemos de brinde no final do ano. São aqueles impressos com dinheiro da Lei Rouanet cujo conteúdo só interessa a quem captou o dinheiro e seus financiadores. Na primeira oportunidade, passamos para os mais pobres. Além de egoístas, somos hipócritas. Se não os lemos, por que os meninos os leriam? Tratamos as doações como uma forma de nos livrarmos sem culpa do lixo da biblioteca de casa.
Muitos governos também preferem dar livros para cada um dos estudantes em vez de investir na biblioteca. Assim, não há dinheiro que chegue. É puro marketing político. O governante garante votos nas próximas eleições e os meninos guardam seus presentes em casa. Num país onde o livro é caro e há milhares de estudantes carentes, é preciso investir em soluções coletivas. Em bibliotecas públicas. Com políticas de valorização do uso coletivo de livros e com doações privadas - daquelas verdadeiras, de livros de qualidade - dá para acreditar em mudar o futuro dos estudantes brasileiros.
Arlete Salvador é jornalista e autora dos livros A Arte de Escrever Bem e Escrever Melhor, ambos publicados pela Editora Contexto.
Retirei do site Educar para Crescer. Gostei muito por isso me permiti reproduzi-lo aqui. Nesse site tem também um teste delicioso: Que livro você é? Cheguei a ele através do blog da Laura, Caminhar. Por coincidência eu sou o mesmo livro que ela, A Paixão Segundo GH. Horror dos horrores, nunca li o livro, mas gosto de tudo o que li de Clarice até hoje. Acho que eu nunca li A Paixão Segundo GH porque a tal barata sempre me assustou. Sei que é ridículo.
imagem: Renoir
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
O Poema da sexta-feira
IRMANDADE
Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
Também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.
Octavio Paz
tradução: Antônio Moura
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
"A CABEÇA DO FUTEBOL"
"A CABEÇA DO FUTEBOL"
Organização: Carlos Magno Araújo,
Samarone Lima e Gustavo de Castro
Brasília: Casa das Musas, 2009.
ISBN 9788598205526
O que pode resultar da tabelinha entre três amigos, jornalistas apaixonados por futebol e por literatura? Um gol de placa e a modéstia adormecida no fundo das redes. Trivela para cá, lançamento para lá, um voleio indefensável acolá, Gustavo de Castro, poeta, professor da UnB, e jornalista radicado em Brasília, Samarone Lima, jornalista e escritor no Recife, e Carlos Magno Araújo, jornalista em Natal, também cartolas temporários neste sonho de reunir craques do jornalismo e da literatura para falar do mais passional dos esportes, mataram a tarefa no peito e agora jogam para a torcida - sem firulas. Não esperam a glória fútil de um Motoradio, a entrevista útil na boca do túnel ou o destaque na resenha da noite. Foi tudo por amor ao futebol – sem preço que pague. (trecho da apresentação)
O que passa na cabeça do brasileiro quando o assunto é futebol? Foi com a intenção de descrever e investigar a emoção, a imaginação e a racionalidade futebolística que Gustavo de Castro, Samarone Lima e Carlos Magno Araújo decidiram organizar a coletânea
"A CABEÇA DO FUTEBOL"
Editora Casa das Musas, 2009,
R$ 25,00
...
Dentre os autores a nossa cara Elianne Diz de Abreu do Caminhar.
Silviano Santiago
"Um homem ambicioso ao extremo e sem princípios éticos, que no final da vida faz seu balanço, serve de metáfora da cara do Brasil nos últimos 60 anos. Este é o enredo de Heranças, de Silviano Santiago. Na dica de Leituras, pontos de renovação da prosa de língua portuguesa com O Dom, de Jorge Reis-Sá e Peixe Morto, de Marcus Freitas. (Disponível até 07/06/09)"Entrevista na TV Senado.
Sábado, 23 de Maio de 2009
Down and Out in Paris and London
Decidi pela pausa entre o volume 1 e o 2 de Os irmãos Karamázov e li, quer dizer, estou terminando de ler este Down and out in Paris and London* de George Orwell. Estava planejando ler este livro há algum tempo, desde a última vez que estive em Londres (há quase dois anos, talvez) e o marido da minha prima, um inglês, me falou do livro. Ele gosta muito de G. Orwell, como ele ainda estava lendo o livro eu não ousei pedir e também não comprei o livro naquela ocasião, não sei o porquê, decerto que não tinha mais tempo ou já tinha acabado a minha quota de livros. Agora acabo de receber uma visita dos Estados Unidos e o encomendei, deve ter custado no máximo 5 dólares, é usado e foi comprado pelo site da Amazon. É possível também ler online aqui.O livro foi publicado em 1933, um dos primeiros trabalhos publicados de G. Orwell, ao que parece o livro foi recusado muitas e muitas vezes. O livro que é considerado biográfico (ou semibiográfico) começa com um relato da época em que Orwell estava vivendo uma vida de miséria em Paris, quando chegou dava aulas de inglês, depois o seu único aluno desaparece e ele se vê cada vez mais à deriva, descreve o hotel onde vivia, os arredores, o momento em que não tem mais dinheiro nem para pagar o quarto horrível onde vive, a fome, a vida dos outros tão miseráveis quando ele. Finalmente Orwell consegue um trabalho como plongeur em um hotel muito rico (ele nunca escreve o nome) na cidade. Plongeur é a pessoa que lava pratos num restaurante, trabalha até 15 horas por dia, o autor mesmo descreve este trabalho como sendo o pior de todos na hierarquia, um plongeur é o 'escravo do escravo'. A vida de um plongeur se resume a 3 coisas: sobreviver ao dia de trabalho, comer alguma coisa, dormir algumas horas. É horrivelmente triste. O cansaço e a falta de tempo mata qualquer desejo, qualquer possibilidade de mudança, qualquer reflexão, desumaniza. Além disso ficamos sabendo dos bastidores também, o hotel chiquérrimo na frente e nos fundos a porcaria total, comida preparada sem nenhum cuidado, pouca importava a higiene contanto que o prato estivesse apresentável, bonito. O autor até conta que uma vez foi lavar as mãos antes de pegar na manteiga e os outros riram dele. Li que os donos de hotéis parisienses reclamaram muito quando o livro foi finalmente publicado. Eu os entendo perfeitamente.
Um dia Orwell deixa a vida de plongeur em Paris e volta para Londres, um amigo tinha lhe arrumado um trabalho, quando chega a Londres entretanto, outra decepção, ia ter que esperar um mês pelo menos para começar o trabalho e aí começa a outra etapa, a vida de mendigo que ele descreve em detalhes, as caminhadas de um abrigo a outro (não se podia dormir no mesmo abrigo mais de uma vez), a sujeira, as doenças, a ignorância, a fome outra vez...
Eu não sei se Orwell decidiu viver essa experiência só para narrar depois, tem gente que diz que sim. Mesmo depois de ser um escritor já reconhecido ele vivia uma vida extremamente simples, como se tivesse feito um 'voto de pobreza' alguns amigos dizem.
O verdadeiro nome de Orwell é Eric Arthur Blair, ele nasceu em Londres, no dia 25 de junho de 1903 e morreu em 1950. Seus trabalhos mais conhecidos são Animal Farm** e 1984.
*Na Pior em Paris e Londres (no Brasil) e Na Penúria em Paris e Londres (em Portugal)
**A Revolução dos Bichos.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
O Poema da sexta-feira
Psicografia
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
O Poema da sexta-feira
Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.
Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.
Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?
Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.
E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência -curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.
Lord Byron
Tradução de Castro Alves
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
Os Irmãos Karamázov

Sábado, 9 de Maio de 2009
Will Self ironiza as religiões no romance "O Livro de Dave"
Prega a Bíblia que não se deve cobiçar a mulher do próximo. Em "O Livro de Dave", a ordem é simplesmente não cobiçar a mulher. Nenhuma delas.
Como o personagem passa de motorista a profeta é algo que Self revelará nos detalhes mais espinhosos. Após perder a guarda do filho para a ex-mulher, Dave escreve e enterra um volume com ideias sobre como o mundo deveria ser --homens e mulheres vivendo separados, com guarda de filhos dividida, é um exemplo. Séculos depois, o livro é encontrado na ilha de Ham (que um dia foi Hamsptead) e vira a nova Bíblia.
O romance explicita a visão do autor sobre como a necessidade de uma religião --um "bálsamo metafísico", nas palavras dele-- pode fazer as pessoas aceitarem normas "sem sentido". "Não penso que toda religião seja ruim", diz Self à Folha por e-mail, "mas o conteúdo de um livro sagrado é menos importante que a busca do ser humano pela doutrina religiosa".
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
O Poema da sexta-feira
Uma arte
Elisabeth Bishop
tradução Paulo Henriques Britto
A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
- Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.
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One art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
Elizabeth Bishop
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Para ouvir o poema clique aqui.
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Mensagem de adeus de Stefan Zweig
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
O BROTHER WHERE ART THOU - - Song of the Sirens
....
Adoro as músicas de O Brother where art thou. Na verdade o filme é feito de música, não? Quase todo mundo já deve ter visto, passou bastante na tv, é bem divertido.
Sábado, 2 de Maio de 2009
Feriado
Não fiz quase nada do meu feriado, o que foi ótimo. Descansei, estava um caco...naqueles dias, if you see what I mean. Precisava mesmo de descanso, dormir até tarde, andar um pouquinho com o cachorro (se bem que isso eu faço todo dia), ler Os Irmãos Karamazov, ir ao cinema ver Wolverine, tomar um capuccino num café bacana com uma livraria ao fundo, folhear livros, bater papo. Tudo isso eu fiz. Estava muito tensa, só agora está passando. Dormi, dormi bastante, o friozinho ajudou. Está quase tudo no lugar agora, as idéias, digo. Pelo menos na medida do possível....
Acabei de ver na Folha de São Paulo que Augusto Boal morreu nesta madrugada.
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
O Poema da sexta-feira
Eu o guardo ficando em casa
Tendo um Sabiá como cantor
E um Pomar por Santuário.
Alguns guardam o Domingo em vestes brancas
Mas eu só uso minhas Asas
E ao invés do repicar dos sinos na Igreja
Nosso pássaro canta na palmeira.
É Deus que está pregando, pregador admirável
E o seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao Céu, só no final
Eu o encontro o tempo todo no quintal.“
(Emily Dickinson, 1830-1886)
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Os Mandarins, Beauvoir

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
O Poema da sexta-feira
Milady, é perigoso contemplá-la
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.
Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, senguindo-lhes as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!…
Em si tudo me atrai como um tesoiro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de oiro
E o seu nevado e lúcido perfil!
Ah! Como me estonteia e me fascina…
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!…
Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!
O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!
Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.
E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo coração, como a um brilhante.
Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão-de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.
E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos - as rainhas!
Cesário Verde
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Amanhã é o dia do 'bookcrossing', vamos em frente
Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
"Os Autores de Hoje São Todos Parecidos"
O que há de novo hoje no panorama literário?
Depois da poesia concreta, não surgiu nada mais de diferente. Hoje entramos numa era de quantidade. A era da globalização é a da quantificação. Não existe nenhum movimento especial. A prosa ganhou força porque, se você conquistar um mínimo de mercado, pode viver do que faz, mesmo no Brasil. Mas nossos romancistas tomam por modelo sujeitos medianos. Os escritores brasileiros que se julgam de vanguarda imitam o tal Thomas Bernhard, por exemplo — que é uma prosa mais-ou-menos. Estamos vivendo um período magmático. Todas as artes e ideias estão voltando a um magma primitivo de onde eventualmente nascerá alguma coisa nova. A produção é enorme, em todas as áreas. Mas é tudo parecido.
Entrevista Bravo.
Sábado, 18 de Abril de 2009
Contos proibidos do Marquês de Sade

Ontem à noite revi o filme Quills, Contos proibidos do Marquês de Sade título dado no Brasil e, acabei de ver no wikipedia, Quills - As penas do desejo em Portugal. Adoro a palavra Quills (pena), gosto da sonoridade, mas o l tem que ser pronunciado, se se pronunciar ‘quiu’ como algumas pessoas pronunciam no Brasil já perde a graça. Eu tinha visto o filme no cinema, assim que saiu, eu morava em Cingapura. Parece que o filme me impressionou mais agora do que na época. Será que perdi muita coisa, lingüisticamente falando, ou será que eu me esqueci mesmo? Não gosto muito do final com o padre, Joaquin Phoenix substituindo o Marquês na loucura, não entendi bem.
A Kate Winslet está linda, muito mais que isso, é uma atriz e tanto, quer dizer, já era uma atriz e tanto e acho que quando vi Contos proibidos pela primeira vez nem sabia quem ela era. Já existia Titanic (acho) mas esse eu não vi até hoje.
Outro ator excelente é Michael Caine no papel de um médico famoso e muito vagabundo. Ele é usado no filme para mostrar que aqueles que julgam, os moralistas, são uns hipócritas não menos perversos do que aqueles que eles estão julgando. Pensando bem, agora enquanto me lembro do filme, acho que essa mensagem é óbvia demais, meio exagerada. Enfim, este médico que é enviado para ‘dar um jeito’ no marquês no hospício onde ele se encontra, Charenton, é um sádico (termo que não existia ainda, claro, já que o devemos justamente ao Marquês em questão) e pedófilo, ele casa-se com uma garota de uns 16 anos aproveitando da sua condição de órfã. O tal médico tem boas desculpas para praticar suas atrocidades, é o seu trabalho, ele vem para o hospício com toda a sua aparelhagem de tortura, está supostamente curando os loucos, mas percebe-se que ele se diverte bastante. Um nojo. O Marquês não é santo, estou falando do filme, não sei até que ponto é ficção, sabe-se que o escritor viveu anos e anos (uns 30, alguns biógrafos dizem) em prisões e hospícios, enfim, ele está longe de ser santo, mas – aqui no filme – simpatizamos muito mais com ele que é explícito do que com este doutor.
Outra coisa impressionante no filme é a obsessão do Marquês pela escrita, escreve de qualquer modo, em qualquer lugar, tiram-lhe a pena, escreve com o vinho, tiram-lhe o vinho, escreve com o próprio sangue e até mesmo com a própria merda. Mas desconfio que haja realmente muita ficção aqui. O ator que faz Sade parece que não tem nada em comum com o escritor que era bem menor e, nessa época deCharenton, bem mais gordo. Sabe-se também que o escritor não teve aquela morte horrível que tem no filme. Morreu durante o sono, tranqüilamente. É normal, a maioria dos filmes tende a dar umas pinceladas nas figuras literárias que retratam, não só literárias, quem viu o filme Frida e conhece um pouco da vida da pintora e de Diego Rivera sabe do que estou falando.
Do mesmo diretor, Phillip Kaufmann, é também Henry and June, outro filme sobre escritores, Henry Miller e Anais Nin. Este eu vi faz um século e nunca revi, nem saberia dizer se é bom ou não. Na época eu goste ‘mais ou menos’, mas as coisas mudam, os gostos também.
...
[uma noite depois...]
Acabei, meio por acaso (na realidade porque não encontramos o último episódio de Lost que está aqui nessa casa, em algum lugar), vendo outro filme sobre escritor, escritores no caso, trata-se de Verlaine e Rimbaud, Eclipse de uma paixão. Não gostei. Verlaine é um homem repugnante no filme, bebe, maltrata sua jovem esposa, é covarde, Rimbaud é um garoto irritante, sem educação, insuportável. Acho que é bem melhor ler a poesia deles do que ver uma obra destas. Eu sabia da natureza indomável de Rimbaud, das estrepolias de Verlaine e isso não faz deles um escritor pior ou melhor, mas não gostei da forma como é colocado tudo isso no filme. O problema não são os escritores, é o filme. Entretanto a cineasta, A. Holland é a mesma que fez o maravilhoso Europa, Europa.
Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
O Poema da sexta-feira
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
Paulo Leminsk
Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
Domingo, 12 de Abril de 2009
Descansei, li, relaxei. Viva a páscoa! Ah, sim, comi algum chocolate.Algum não, muito. Sejamos sinceros....
Friozinho bom em Curitiba, daqui a dois meses duvido que eu esteja falando assim do frio, mas hoje está ótimo, já estava com saudades desse tempo.
...
Lendo o volume dois de Les Mandarins, estou gostando muito. Romances longos às vezes me cansam, leva tempo e eu fico ansiosa querendo ler outras coisas. Na verdade acabo parando um pouco a leitura e lendo outras coisas mesmo e depois volto ao livro, mas estou gostando muito. Fazia tempo que Os Mandarins estava na minha lista, sobretudo depois de trocar algumas ideias com Wagner Campelo (infelizmente parou de publicar o blog dele, hebdomadário). Ele é um apaixonado pela S. de Beauvoir, criou até uma página muito bem feita sobre a escritora - aqui.
...
Minha irmã me trouxe 4 livros de Littérature chinoise, meio revista literária...ainda estou lendo. Muito interessante, tem alguns contos, extratos de livros, publicações culturais...tudo em francês, só a capa tem umas inscrições em chinês, foi impresso na China em 1978, 1980....A primeira história que li é muito boa, é sobre uma menina bem pobre que é usada por todo mundo, pelos pais, depois pelo marido, sogra. Vou tentar contar a história num post.
Minha irmã disse que estava olhando para aqueles livros e pensando em mim, 'será que levo isso para a Leila?', o dono da bagunça perguntou 'Está interessada?', ela disse 'humm...sim' e ele respondeu 'Então pode levar.' Assim de graça mesmo. Ainda bem.
...
Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
O poema da sexta-feira
Pour faire le portrait d'un oiseau
Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
c'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
Jacques Prévert
(04/02/1900 - 11/04/1977)
...
No Mundo de K você pode ler a tradução do poema e um texto sobre Prévert.
Quarta-feira, 8 de Abril de 2009
Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Passou por aqui (5 dias só) minha irmã com o sobrinho que está completando dois anos. Uma graça, nos fez rir muito. Agora foram para Minas, lá eles ficam uns dias e voltam para Bruxelas. Se tudo der certo pretendo ir vê-los lá em julho e fazer um curso para professores de francês que ainda não decidi se será na França ou na Bélgica. Se for na França será em Vichy, se for na Bélgica será em Louvain-La-Neuve, pertinho de Bruxelas.Tenho trabalhado muito. Gosto de trabalhar, mas preferia trabalhar menos horas do que agora e ler um pouco mais, escrever, quem sabe....c´est la vie! Pelo menos por enquanto não sei mudar isso.
Acabei de ler o Volume 1 de Les Mandarins, gostei muito, mas estou dando uma pausa entre os dois volumes e lendo O Filho Eterno de Cristovão Tezza. Do autor eu tinha lido um só livro lá dos primórdios da carreira dele e este último é muuuuuuito melhor. É um livro sensível, maduro, mas não preciso dizer nada disso porque os 3 ou 4 prêmios que o livro recebeu devem significar mais que minha opinião.
Há uma crítica muito boa no Le Monde Diplomatique, para ler na íntegra clique aí :
"Mais do que uma história de filho doente, O filho eterno é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980. Vemos a persistência de um autor que acumula, em sua gaveta, cartas das editoras contendo avaliações negativas de suas obras, relembramos os absurdos sistemas de financiamento habitacional da era Sarney, além do amadurecimento de ponto de vista de um ser humano em seu papel de pai. Reflexões que poderiam facilmente se transformar em autocomiseração, dado o tema com forte apelo emocional, mas o texto foge disso."
.....
A fotografia que postei abaixo é de uma tia de Virginia Woolf (até já falei dela antes num texto sobre biografia de V. W. aqui), Julia Margaret Cameron. Vi há alguns anos, em Charleroi, uma exposição dos retratos que ela fez. Ficou conhecida como 'retratista', começou bem tarde a carreira, aos 48 anos, mas tinha talento e dizem que até hoje influencia artistas. Eu acredito, basta observar alguns destes retratos.
....
Agora é o cachorro aqui implorando para passear, faz parte da minha rotina. Vou lá, coitado, afinal ele não pediu para viver numa casa e ter que depender de 'gente' toda vez que quer sair, comer, se lavar (se bem que isto acho que ele não gosta muito).
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Sexta-feira, 27 de Março de 2009
O poema da sexta-feira
Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.
Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.
No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.
O córrego chora.
A voz da noite . . .
(Não desta noite, mas de outra maior.)
Manuel Bandeira
Petrópolis, 1921
Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Morei perto desta praça por alguns anos, quer dizer, eles chamam isso de praça, muitos brasileiros estranham porque não tem bancos, nem árvores, está mais para uma rotatória. Tirei essa foto da minha janela, faz tempo, não é a vista mais linda do mundo, mas foram bons os anos que passei ali. Na primavera, a avenida que passa aí do lado ficava toda florida, bem rosa. Não sei que árvore era aquela, sou bem fraquinha nessas coisas.
Sábado, 21 de Março de 2009
Homossexualidade: luzes e sombras do poeta Federico García Lorca

O biógrafo, conhecido por seus trabalhos sobre a morte do poeta e por ter contribuído para localizar a fossa comum onde repousava García Lorca na província de Granada (Andaluzia, sul) explica ter querido fazer um "livro de militância"; no qual fique claro e que "se sinta indignação com tendências (homófobas)", que se tornaram "uns dos componentes do assassinato de Lorca", explicou este irlandês de 69 anos, atualmente nacionalizado espanhol e residente em Madri.
O poeta foi fuzilado poucas semanas depois da insurreição franquista, em companhia de dois anarquistas e de um professor, entre as aldeias de Alfacar e de Víznar, a poucos quilômetros de Granada.
Um dos presumíveis assassinos vangloriou-se, em Granada, por ter-lhe dado dois tiros "por el culo, por maricón", segundo Gibson. A ditadura de Francisco Franco que se seguiu à Guerra Civil (1936-39) censurou por muito tempo sua obra e reprimiu os homossexuais.
Gibson abordou de maneira extensa as estadas do poeta em Madri, onde podia fugir do pensamento provinciano andaluz e manter seu "relacionamento muito importante, fundamental", com o pintor Salvador Dalí, além de suas viagens a Nova York e a Cuba.
"Não foi admirada com ênfase suficiente a valentia do poeta ante sua difícil condição sexual", conclui Gibson.
Sexta-feira, 20 de Março de 2009
O poema da sexta-feira
precisa de tão pouco
um copo d'água o rosto discreto de uma flor
um leque talvez uma dor amiga
e a certeza que nenhuma cor do arco-íris perceba
quando embora for
Emily Dickinson
Tradução de Ana Cristina César
Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Sábado, 14 de Março de 2009
Tanta coisa e nada
Curtindo preguiça. Mas só comecei mesmo com a preguiça há uns 15 minutos, durante a semana trabalhei pra caramba. Resolvi aproveitar o momento 'preguiça' e passar por aqui. Passeei por uns blogs, li a Folha, devia ir ler meu livro (tenho lido pouco), estou lendo Simone de Beauvoir, Les Mandarins, já disse isso aqui, mas é que estou indo a passo de tartaruga. Ainda por cima parei para ler aquele Travessuras da menina má(la), antes deste eu li O Deserto dos Tártaros, um livro maravilhoso, mas acho que não falei dele aqui. Preferi falar do livro que não gostei, vá entender. Acho que foi pelo seguinte, terminei O Deserto dos Tártaros durante minha viagem ao Chile, sem pensar peguei aquele Travessuras, quando terminei este último já estava em casa tranquila e resolvi comentar a leitura. Levei um bom tempo lendo O Deserto dos Tártaros porque as letrinhas eram muito pequenas e não dava para ler a qualquer momento, em qualquer lugar, como costumo fazer, tinha que ter boa iluminação. Isso nunca tinha me acontecido antes na vida, de sofrer por causa da fonte, às vezes era tão difícil que me dava medo de que problemas de vista viessem realmente a interferir nas minhas leituras. Eu sou bastante míope, uso ora lentes de contato, ora óculos, nunca tive muitas chateação com isso. Até um ano atrás mais ou menos. Primeiro apareceram, as tais moscas volantes, além da miopia, e astigmatismo que me acompanham há anos. Agora é a vez da presbiopia, ou seja, não vejo bem nem de longe, nem de perto, tenho que ficar procurando a distância certa. É coisa da idade, claro. Já consultei a oftalmologista, ela disse que ainda aguento um tempo sem aqueles óculos (bifocais no meu caso, se não me engano), mas não muuuuito tempo. Estou pensando seriamente em fazer a cirurgia. Digo 'seriamente' porque pensar por pensar eu já penso há muito tempo, mas sou muito covarde para cirurgias, tenho que pensar com calma e tranquilidade. ....
Acabei de ler uma entrevista, ou melhor, partes dela porque não tive estômago para ler tudo, com o bispo de Olinda que reitera o que já disse antes: "Estou com a minha consciência tranquila. Não podia prever essa reação em nível nacional e internacional, mas remorso sentiria se tivesse ficado em silêncio"
Esse é o Deus dele que, felizmente, muitos católicos rejeitam e mostraram isso agora, outros infelizmente preferem aceitar este deus cruel do que ter um pouco de compaixão por uma pobre garota de 9 anos vítima de abuso desde os seis. Uma crueldade sem limites.
...
Meu irmão está na França, em Villefranche de Conflent, na casa da Violaine, aquela com quem viajei para o Chile...Villefranche de Conflent é aquele vilarejo de pouco mais de 200 pessoas, lembram-se? Então, meu irmão me escreveu agora dizendo que o pai de Violaine disse "Espere aí que vou ali pegar uma coisa" (disse em francês, evidentemente, os franceses não são lá muito fortes em línguas) e voltou com um disco de Benito di Paula. Meu irmão quase morreu de rir. É realmente inusitado encontrar isso num vilarejo do sul da França, muitos brasileiros mais jovens não devem nem se lembrar de Benito di Paula.
Quem sabe um cinema agora...
Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Um arcebispo mais ou menos
Continua aqui: Caminhar
O poema da sexta-feira
a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão
cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença
Paulo Leminski
Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Terça-feira, 10 de Março de 2009
Simpsons perdem a casa por causa da crise financeira nos EUA

Sábado, 7 de Março de 2009
Travesuras de la niña mala

Não gostei do livro, já no começo eu tive uma certa intuição de que não era para mim, mas continuei, li até o fim, li a última página neste instante. Continuei porque continuei, sem pensar muito e talvez porque o livro, bem o mal, desperta a curiosidade do leitor. Já é um trunfo, mas não pretendo reler nunca e vai demorar até que eu abra de novo um livro de Vargas Llosa. Não estou afirmando que seja ruim, estou afirmando que eu não gostei. Há autores bons de que não gostamos. Fazer o quê? O pior é que esse é o primeiro livro que leio de Vargas Llosa.
A personagem principal do livro, a tal Menina Má (por mim poderiam ter traduzido como 'menina mala' mesmo, é isso que ela é)é antipática do começo ao fim, só em duas passagens o leitor pode sentir alguma compaixão por ela, quando ela fica doente. Ela é fria, calculista, uma espécie de prostuta de luxo, se prostitui através de casamentos ricos. O outro personagem, o que conta a história e que é chamado de Niño bueno é o gato e sapato dela. É admirável tanta dedicação e tanta passividade.
De qualquer modo isto é só o enredo, poderia até dar uma história interessante. Junichiro Tanizaki já escreveu história semelhante em Noemi, mas é mil vezes melhor a sua forma de contar, isso muda tudo.
....
Semana cansativa e quente.
Revi um filme de B. Betolucci, O céu que nos protege, baseado em romance de Paul Bowles (1910-1999). É um filme interessante, basta ver a primeira (ou uma das primeiras) fala do filme:
Turner: Somos os primeiros turistas desde a guerra.
Kit: Somos viajantes, não turistas.
Turner: Qual a diferença?
Port: O turista pensa em voltar para casa assim que chega.
Kit: E o viajante pode nem voltar.
Esse "pode nem voltar" é significativo, não só no filme, mas para todo viajante.
Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Domingo, 1 de Março de 2009
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
o poema da sexta-feira
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade...
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe...
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.
Vinícius de Moraes











