24 Maio 2008


Sofri com uma sinusite todos estes dias, fazia tempo que ela não atacava, tanto que custei a entender que era isso, quase fui ao dentista por causa da dor nos dentes, maxilar, gengiva...Quando vivia em Singapura a Sinusite era quase constante, acho que era por causa do clima e do uso exagerado que se faz lá do ar condicionado. Fui para Florianópolis na quinta e voltei na sexta, não aproveitei nada, não dormi, morri de calor, tudo me parecia um esforço supremo, pensei até que tivesse perdido o gosto por viagens. Tudo o que eu queria era estar em casa onde eu sabia onde ficam as aspirinas, onde faz frio à noite, onde eu tinha filmes para ver...Enfim, um armagedon, como diria um conhecido italiano muito dramático.
Chegando em casa, consultei o doutor Google e ele diagnosticou: 'sinusite mesmo':

"Na sinusite aguda, costuma ocorrer dor de cabeça na área do seio da face mais comprometido (seio frontal, maxilar, etmoidal e esfenoidal). A dor pode ser forte, em pontada, pulsátil ou sensação de pressão ou peso na cabeça. Na grande maioria dos casos, surge obstrução nasal com presença de secreção amarela ou esverdeada, sanguinolenta, que dificulta a respiração. Febre, cansaço, coriza, tosse, dores musculares e perda de apetite costumam estar presentes."

Mas tout est bien qui finit bien, tomei alguns remédios e a dor passou, agora só estou espirrando na proporção de mais ou menos 100 espirros por minuto. No caminho de volta de Floripa, graças aos amigos Allan e Marina, conheci os CDs novos (não sei se é tão novo assim ou se eu é que estava por fora mesmo) da Fernanda Takai, Onde brilhem os olhos seus e da Adriana Calcanhoto. Adorei os dois.
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imagem: Rest, Pablo Picasso

Excelente esta entrevista de Roth no RoseLivros:


Spiegel
- O que vai ficar do presidente atual, George W. Bush? Será que ele vai ser esquecido depois de sair do governo?
Roth - Não, ele foi horrível demais para ser esquecido. Haverá muita coisa escrita sobre isso. E há muito a ser escrito sobre a guerra. Há muito para ser escrito sobre o que ele fez com o reaganismo, uma vez que ele foi muito mais longe que Reagan. Então ele não será esquecido. Já disseram que ele foi o pior presidente que os Estados Unidos já tiveram. Na minha opinião, isso é verdade.

Spiegel - Por quê?
Roth - Bem, principalmente por causa da guerra, da decepção com a entrada na guerra. O cinismo absoluto que envolveu a decepção. O custo da guerra, o Tesouro e as vidas dos americanos. Foi hediondo. Não há nada parecido com isso. Em segundo lugar, por causa de sua atitude em relação ao aquecimento global, que é uma crise mundial; e eles foram extremamente indiferentes, até mesmo hostis, em relação a qualquer tentativa de enfrentar o problema. E mais isso, mais aquilo, mais isso, mais aquilo... Ou seja, ele fez um grande estrago.

Spiegel -
Já que o seu livro se passa na semana das eleições de 2004, você saberia explicar por que os americanos votaram em Bush pela segunda vez?
Roth - Acho que foi pelo fato de estar em guerra e não querer mudar, além de estupidez política. Por que alguém elege uma determinada pessoa? Pensei bastante sobre John Kerry quando ele começou a campanha, mas ele não conseguia competir com Bush. Os democratas não são brutos, o que é muito ruim, porque os republicanos são brutos. E os brutos vencem.

Klaus Brinkbäumer e Volker Hage
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Mais aqui.

19 Maio 2008

a igualdade é branca

Revi ontem este filme A igualdade é branca (Trois couleurs: blanc), faz parte da famosa trilogia de Krzysztof Kieslowski baseada nas cores da França, os outros dois são: A Liberdade é azul, A fraternidade é vermelha. Comprei os três por menos de 40,00 nas lojas Americanas.

Este A igualdade é branca é de 1993 e foi entre 94 e 95 que eu o vi, há uns bons aninhos, já tinha me esquecido de muita coisa, muita mesmo. É a história de um casal, ele polonês e ela francesa, tem momentos que parece que eles estão fazendo um concurso para ver quem consegue ser mais cruel. O filme começa com o casal na frente de um juiz, Dominique, a esposa, está pedindo o divórcio alegando que o marido não consegue cumprir com seus deveres conjugais. Karol , o marido, fica completamente perdido, sem dinheiro, sem língua (quase não fala francês), sem mulher, sem nada. É um personagem triste, com um ar ingênuo, mas vingativo. Volta para a Polônia dentro de uma mala porque não tinha mais seu passaporte e a polícia estava a sua procura por causa de um acidente propositalmente provocado por Domique para complicar um pouco mais sua situação. E, por incrível que pareça, a idéia que fica é a de que os dois se amam nesse tumulto todo. Karol está no metrô tocando uma música polonesa usando um pente como instrumento (ele era cabeleireiro) e encontra um compatriota, Mikolaj que passa a fazer parte de sua vida e tenta ajudá-lo sem muitos questionamentos, uma bela amizade começa quando o relacionamento com a mulher está terminando.
Gostei muito de revê-lo....
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E o resto da semana foi:
Aulas. Leitura Seis Passeios pelos Bosques da Ficção. Aulas. Espera. Faxina. Chateações. Aulas. Começo de outro Hermann Hesse O Lobo da Estepe. Aulas. Filme Bonequinha de Luxo. Chateação. Sono. Frio. Papo furado. Aulas. Passeio com o cachorro. Espera.

14 Maio 2008

Entrevista: Contardo Calligaris

[Eu gostei muito desta entrevista, sobretudo desta parte que transcrevo. Se alguém quiser ler o restante é só ir aqui.]

PLAYBOY
- Você escreve bastante sobre o Brasil e os brasileiros. Para você, quais são as principais características da sociedade brasileira?

Contardo - O Brasil é uma sociedade ao mesmo tempo moderna e arcaica. Por um lado, somos extremamente modernos, porque a diferença social se dá por meio da riqueza e do consumo. Por outro, essa diferença social é vivida como se fosse uma diferença de casta. Depois de uns cinco anos vivendo no Brasil — e o Brasil pega na gente —, fui a Paris visitar meu filho. Estava num café e queria fazer um pedido. Então, levantei o meu braço e estalei os dedos. O garçom ouviu o barulho e, completamente paralisado, perguntou: “Você está falando comigo?” Eu me dei conta de que estava fazendo um troço completamente inaceitável. O cara ia me dar um soco, me mandar à puta que o pariu e o dono do café ia lhe dar razão. Mas, no Brasil, isso é normal. As pessoas se prevalecem dos apetrechos de seu sucesso narcisista para tratar os outros como escravos. É como se quisessem perpetuar uma ordem que não existe mais.

PLAYBOY - Você acha que é assim que os brasileiros são vistos lá fora: como uma sociedade arcaica e atrasada?

Contardo - Não. Mas, apesar dos esforços de modernização do Brasil, o país ainda é visto, sobretudo, como um sonho exótico. E é difícil ser visto como exótico, porque o exotismo é a face legal do racismo, por assim dizer. A vergonha desse exotismo é, certamente, uma face da identidade nacional.

PLAYBOY - Você é imigrante e teve muitos pacientes brasileiros que emigraram para os EUA. O que eles podem ensinar a nós que ficamos no Brasil?

Contardo - A conclusão a que a gente chega é que ninguém deveria nunca viajar. Quem começa a viajar — e não estou falando em passar férias, mas em se transplantar — não tem motivo para parar. A dúvida entre a continuação da viagem e o retorno se torna uma parte constante de sua vida. Em minhas viagens entre Nova York e São Paulo, conversei com diversos brasileiros que estavam sendo deportados para o Brasil e, curiosamente, se sentiam completamente aliviados. Não que eles quisessem ir embora dos Estados Unidos, mas estavam aliviados que a decisão tinha sido tomada por terceiros.

O resto da entrevista está aqui.

13 Maio 2008

livros e livrarias

Com relação ao post abaixo, O Ranking das livrarias, devo dizer que postei o artigo porque achei interessante. Todos nós que gostamos de livros, mesmo quando não pretendemos comprar damos uma circulada por livrarias ou, no meu caso, por sebos. Mas eu, tampouco concordo com os quesitos do jornalista, sou um pouco como a Sônia Sant'anna (refiro-me ao comentário) prefiro percorrer a livraria em paz, sem nenhum vendedor atrás de mim e também fujo dos sugestões. Eu tenho uma idéia bastante clara do que quero ler e quando vou oferecer algum livro de presente é para alguém com quem tenho afinidades e posso escolher eu mesma. Se procuro o vendedor é porque não consegui encontrar o preço ou o livro em questão. Sugestões, não obrigada. Trocar idéias é sempre bom e podemos descobrir autores, títulos, milhões de coisas, mas ainda prefiro que me deixem tranquila numa livraria com aquela montanha de best sellers, Zíbias Gasparettos, títulos de norte americanos atuais que amanhã estarão esquecidos e num cantinho solitário, quase escondido, de vez em quando encontro um autor japonês, turco ou outro que vale a pena.

11 Maio 2008


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esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem


Paulo Leminski

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08 Maio 2008

Puf


Este é o Puf, um cãozinho muito carinhoso que vivia lá no sítio dos meus pais. Vivia. Cheguei lá na semana passada e ele não veio nos receber pulando feito louco. E ele sorria, nisso até minha mãe concordava, ele abria a boca de um jeito muito parecido com sorriso. O cachorro do vizinho o matou, isso foi há um mês, meus pais não nos contaram, só ficamos sabendo ao chegar no sítio. "Cadê o Puf, vovó?" Minha sobrinha perguntou e depois ela foi chorar debaixo de uma árvore e eu de outra. Que tristeza sem ele por ali.
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01 Maio 2008

O ranking das livrarias

Repórter percorre des lojas em São Paulo para comparar a qualidade deatendimento a organização e a estrutura


CYRUS AFSHAR Folha de S. Paulo - 26/4/2008


Comprar um livro é quase um ritual. Cada leitor tem seu jeito: uns escolhem por impulso, em passeios desinteressados, outros já saem preparados, sabendo exatamente o que querem e não são de muito papo.Tem os que chegam à livraria atrás de uma obra específica, mas nem sempre têm na ponta da língua o título completo ou a grafia do sobrenome do autor. Em qualquer um dos casos, vendedor atento e livraria bem organizada são fundamentais. Sem se identificar, a reportagem do Vitrine percorreu dez livrarias em São Paulo (grandes, pequenas e médias) e comparou o atendimento e a sinalização de cada uma. Para isso, foram feitos três testes.No primeiro teste, foi medido o tempo decorrido entre a entrada do repórter na livraria e o aparecimento de um funcionário oferecendo ajuda. No segundo teste, foi avaliada a agilidade do vendedor emlocalizar títulos. Aqui, o repórter pediu sempre o mesmo lançamento("O Sol do Brasil", de Lilia Schwarcz) e um livro mais acadêmico("Globalização, Democracia e Terrorismo", de Eric Hobsbawm), mas sem informar os títulos ou as grafias exatas dos nomes dos autores.No terceiro teste, a reportagem pediu sugestões de presente para o Dia das Mães. Nesse caso, não se levou em conta a rapidez ou a qualidadedo que foi recomendado, mas a preocupação do vendedor em atender aopedido de maneira mais personalizada.Além do atendimento, foram observados os recursos à disposição do consumidor para que ele se vire bem sozinho, como sinalização das seções, ordem dos livros nas seções e presença ou não de leitores decódigo de barra e computadores para pesquisa. Quem sabe vender livro? Martins Fontes e Da Vila têm melhor desempenho; Vozes é destaque em auto-atendimento.

Das dez livrarias testadas pela reportagem, oito tiveram desempenho bom ou muito bom na contagem final. As que se saíram melhor foram a DaVila e Martins Fontes. Ficaram um pouco abaixo da média Nobel,Siciliano e Cortez. Nessas lojas, o fator negativo que mais pesou foio tempo decorrido entre a entrada do repórter na livraria e o atendimento.Na Cultura, o repórter esperou mais de oito minutos para ser atendido."Queremos atender o mais rápido possível", disse Fábio Herz, 35, diretor comercial da Cultura, ao reconhecer a falha. "O que a gentereforça muito no treinamento é para o vendedor não ser ostensivo, masse mostrar sempre disponível". Ele afirmou que a demora foi causadapelo movimento acima das expectativas e que isso tem que ser levado em conta. Mas a Cultura foi uma das melhores nos demais testes, reflexo da preparação: seus vendedores são treinados por 40 dias antes docontato com o público.Os recursos de auto-atendimento da maioria das livrarias são satisfatórios. As que se saíram pior foram Cortez e Ícone. De acordo com o diretor-geral da Cortez, Ednilson Xavier, a sinalização pouco clara das seções do segundo andar da sua loja vai mudar. Já a gerente da Ícone, Carla Fanelli, afirmou que a sinalização da unidade da rua Augusta é adequada. "Os nomes das seções não são muito grandes, mas dá para enxergar", disse. No auto-atendimento, o destaque positivo foi a pequena livraria Vozes,que tem leitor de preço, computadores para busca, seções bem sinalizadas e ordem de livros por autor. (CA)


Atendimento personalizado

A Martins Fontes da Paulista privilegia livros de fi losofi a, que ficam na sala central. O atendimento é rápido, e o clima, de livrariapequena. Tem até consumidor que chama o vendedor pelo nome. A sinalização dasseções, apesar de discreta, funciona. A ordem dos livros, seguindo o sobrenome do autor, facilita a vida de quem gosta de se virar. Os computadores só podem ser usados pelos vendedores. A vantagem (para eles) é que o programa de busca tem ferramenta de sugestão de preenchimento automático, o que facilita a digitação de um sobrenome mais difícil. Quando o repórter pediu dicas de presentes para a mãe, a resposta não foi automática. O vendedor sugeriu, a partir do perfi l fornecido, os livros "QuemPagou a Conta", de Frances Saunders, "Nietzsche", de Martin Heidegger,e "Dom João VI", de Jorge Pedreira e Fernando Costa. av. Paulista, 509, tel. (11) 2167-9900, São Paulo. Seg. a sex.: 9h às22h. Sáb.: 9h às 19h:. CC: todos. Estacionamento: sim


Muita vigilância, pouco vendedor

A Nobel do shopping Center 3 nem é tão grande: são 250 metrosquadrados. Mas tem 11 câmeras de vigilância. Vendedor, que é bom, só havia dois, na tarde da última quarta-feira. Edemoraram para atender. Enquanto a funcionária procurava um livro parao repórter, outros quatro clientes fi caram na espera. O atendimentofoi ansioso. Um exemplo foram as sugestões para Dia das Mães, feitassem o cuidado de tentar atender a um gosto específi co, e restritas aos lançamentos direcionados a mulheres: "Marley e Eu", de John Grogan, "O Silêncio dos Amantes", de Lya Luft, e o best-seller "Comer, Rezar, Amar", de Elizabeth Gilbert. As seções são bem sinalizadas e os terminais podem ser usados pelos consumidores - onde dá, também, para ver o preço do livro. av. Paulista, 2.064, 3º andar, shopping Center 3, tel. (11) 3287-7387,São Paulo. Seg. a sáb.:10h às 22h. Dom.:13h às 22h CC.: Amex, Master eVisa. Estacionamento. : sim

Socorro tarda, mas não falha
A Vozes leva o nome da editora à qual é vinculada, mas tem muitasopções de lançamento de outras editoras também. Por ser uma livraria pequena (169 metros quadrados), fi ca fácil parao consumidor se orientar sozinho. Apesar de não haver muitosvendedores, eles estão sempre ao alcance da vista. Mas podem demorarbastante até abordar o consumidor. A loja tem dois computadores que podem ser usados pelos clientes, além de leitores de código de barrasque informam o preço, facilidades comuns em grandes livrarias. O atendimento foi cuidadoso e as sugestões dadas para presente do Diadas Mães foram personalizadas, feitas com base nas informaçõesfornecidas pelo repórter. r. Haddock Lobo, 360, tel. (11) 3256-0611, São Paulo. Seg. a sex.:9hàs 20h. Sáb.:9h às 13h. CC: todos.
Rápido, mas afobado
A livraria Cortez, em Perdizes, tem seções bem sinalizadas no térreo,mas no segundo andar os nomes das divisões estão em letras pequenas, oque difi culta a busca. Depois de mais de cinco minutos de espera, umavendedora ofereceu atendimento, que foi afobado e impaciente. "Como éque eu faço, sem saber o título do livro e o nome certo do autor?",perguntou ela, quando o repórter deu apenas o nome de um escritor, sema grafia.Na hora de sugerir um presente de Dia das Mães, ela não fez nenhumapergunta para refi nar as indicações. Em compensação, deu várias sugestões de lançamentos e até buscou ocatálogo novo da livraria, para mais opções. r. Bartira, 317, tel. (11) 3873-7111, São Paulo. Seg. a sex.: 9h às21h. Sáb.: 9h às 18h. CC: Amex, Master e Visa. Estacionamento: sim
Sugestões pouco inspiradas
O departamento de livros é o de menor movimento na Fnac de Pinheiros. Mesmo assim, os vendedores parecem estar sempre ocupados. A vendedora demorou mais de três minutos para abordar o repórter"perdido". Na hora de escrever os sobrenomes "Schwarcz" e "Hobsbawm",para achar os livros, a funcionária se enrolou. Quando deu sugestõespara Dia das Mães, se restringiu a livros que têm relação explícita com a data, tais como "Mãe, Tudo de Bom", "Querida Mamãe" e "UmPresente para Minha Mãe". Ela não perguntou ao repórter que gênero de livro seria o mais adequado. No entanto, foi paciente e usou também o sistema de buscapara dar outras opções. pça. dos Omaguás, 34, tel. (11) 3579-2000, São Paulo. Seg. a dom.:10hàs 22h. CC: Amex, Master e Visa. Estacionamento: sim Não precisa caçar funcionário"Você precisa de ajuda?". Na Livraria da Vila, a frase veio em menosde 30 segundos. Lá, os vendedores fi cam bem espalhados pela loja. Isso faz com quehaja sempre alguém perto de você. O destaque é o departamento infantil. Na hora de digitar os dados sobre o autor Eric Hobsbawm no sistema de busca, a vendedora optou por escrever o primeiro nome dele e achou olivro rapidamente. As sugestões para presente de Dia das Mães levaram em conta a preferência da pessoa. Os títulos recomendados foram "Na Praia", de Ian Mcewan, e "O Conto do Amor", de Contardo Calligaris. A organização espacial é boa, mas não há placas indicando quais seções estão em outros andares. Dá para usar o scanner de leitura de códigode barras para saber o preço, mas não o computador. r. Fradique Coutinho, 915, tel. (11) 3814-5811, São Paulo. Seg. asex.: 9h às 22h. Sáb.: 10h às 19h. Dom.: 11h às 18h.CC: todos.Estacionamento: sim
Tente um olhar de desamparo
Na Saraiva do shopping Ibirapuera, os funcionários ficam perambulandoe só param se forem abordados ou ficarem comovidos com o seu olhar dedesamparo. Mas, se você chamar a atenção de um, a compra poderá serrápida. No dia do teste, o vendedor localizou os livros pedidos em 13segundos e deu quatro dicas boas de presentes para Dia das Mães.Alguns dos lançamentos sugeridos ele mesmo já tinha lido. A Saraiva tem uma política de emprestar livros aos vendedores. av. Ibirapuera, 3.103, shopping Ibirapuera, loja 145, tel. (11)5561-7290, São Paulo. Seg. a sáb.:10h às 22h. Dom.: 13h às 21h. CC:todos. Estacionamento: sim
Prós e contras da pequena Menor livraria visitada pela reportagem, com 132 metros quadrados, a Ícone mostra as vantagens e desvantagens de uma loja pequena. Aabordagem do vendedor foi a mais rápida: bastaram segundos para ele perceber que um comprador em potencial precisava de ajuda. Porém, a Ícone não dispõe de muitos recursos tecnológicos para ajudara encontrar um livro. O computador, que só pode ser usado pelos funcionários, não tem sistema de busca por nome de autor - só por título - o que impediu a procura de uma obra recémlançada. Sobre o livro de Hobsbawm, o vendedor disse que ainda não tinha recebido. Já para as sugestões de Dia das Mães, o atendimento foi um dos melhores. Ele perguntou qual o estilo de livro que mais agradaria e, apartir disso, sugeriu cinco obras. r. Augusta, 1.415, tel. (11) 3288-9206, São Paulo. Seg. a sex.:8h às20h. Sáb.:8h às 14h. CC: Diners, Master, Visa. Estacionamento: não


Para quem não quer ajuda

A unidade da Siciliano do bairro Vila Olímpia é ampla é quase semdivisões. Foi pensada para o consumidor comprar sem ajuda: temcomputadores para buscar um livro por título, autor ou assunto. Junto das máquinas, leitores de código de barras mostram o preço; os poucos vendedores fi cam, na maior parte do tempo, organizando os livros nasestantes. Os funcionários, aliás, não se dão muito bem quando pesquisam noscomputadores, por autor. Se os nomes são de grafi a mais difícil, como"Lilia Schwarcz" e "Eric Hobsbawm", será preciso esperar algunsminutos e várias tentativas. Já para a sugestão de presente do Dia das Mães, o vendedor sugeriu ou lançamentos ou best-sellers, como os doafegão Khaled Hosseini e o "Mãe com Amor", de Helen Exley. av. Dr. Cardoso de Melo, 630, tel. (11) 3842-9811, São Paulo. Seg. aqui.:9h às 20h30. Sex. e sáb.:9h às 22h. Dom.: 10h30 às 20h30. CC:todos. Estacionamento: sim
O inferno dos tímidos
À primeira vista, a livraria Cultura é o paraíso do consumidor delivros. Contudo, a maior entre as lojas avaliadas, com 4.300 metrosquadrados, também pode ser o inferno dos mais tímidos, que não gostamde correr atrás de vendedor, e precisam de ajuda para achar um livro.Os vendedores estão sempre à vista, é só chamar. Mas se você apenasesperar... A abordagem levou quase dez minutos, no teste feito para a reportagem.A melhor forma de procurar um livro, na Cultura, é correr atrás de umdos funcionários, que, em geral, fi cam nos terminais. Os computadorestêm sistema de busca, mas não podem ser usados pelos clientes. Mas avendedora foi ágil na hora de checar na internet a grafi a do nome deum autor. av. Paulista 2.073, tel. (11) 3170-4033, São Paulo. Seg. a sáb.: 9h às22h. Dom.: 12h às 20h. CC: todos. Estacionamento: não


ENTENDA OS CRITÉRIOS

O atendimento da livraria foi considerado "excelente" quando algumfuncionário se dirigiu ao repórter em menos de dois minutos; quando ovendedor deu várias sugestões "personalizadas" de presente para o Diadas Mães; e quando a busca de um título demorou menos de dois minutos.O atendimento recebeu "bom" quando o tempo de espera para encontrar umlivro foi de até 2min45s, e quando a sugestão de presente foigenérica, mas com opções. O atendimento da livraria foi classificadocomo "regular" quando o vendedor deu só uma sugestão genérica parapresente de Dia das Mães, e quando levou até 3min30s para o repórterser atendido, e também para o vendedor localizar uma obra. Para darmais peso ao atendimento feito por vendedores, aspecto principal doteste, o conceito máximo do autoatendimento foi o "muito bom".Receberam esse conceito livrarias com seções bem sinalizadas, livrosem ordem alfabética de autor e computadores e leitores de preço àdisposição do consumidor.

30 Abril 2008

Em Minas

Aqui estou. Vim ver a família e comprar queijo. O último é brincadeira, é que no Sul o povo pensa que em Minas a gente só vive de queijo. É verdade que alguns mineiros fazem jus à reputação, mas não vamos exagerar, tem também o pão de queijo, goiabada com queijo, doce de leite...
Falando por mim, o único aí que eu adoro e que comeria todos os dias é o pão de queijo.
Enfim, cá estou e morta de preguiça. No caminho li O Ciclo das águas, de Moacyr Scliar.

24 Abril 2008

Lendo: Invitation to a Beheading

Estou lendo um dos livros que minhas visitas trouxeram, Convite Para Uma Decapitação. Extremamente interessante, vou falar dele assim que terminar. O personagem principal é Cincinnatus C. que está preso esperando o cumprimento da sentença, a decapitação. O seu crime? «torpeza gnóstica».
De Nabokov eu tinha lido, como a maioria, Lolita que é um dos meus livros preferidos. Um dos.

22 Abril 2008

Nina Simone

My Baby just cares for me.
...
My baby don't care for shows
My baby don't care for clothes
My baby just cares for me
My baby don't care for cars and races
My baby don't care for high-tone places

Liz Taylor is not his style
And even Lana Turner's smile
Is somethin' he can't see
My baby don't care who knows
My baby just cares for me

Baby, my baby don't care for shows
And he don't even care for clothes
He cares for me
My baby don't care
For cars and races
My baby don't care for
He don't care for high-tone places

Liz Taylor is not his style
And even Liberace's smile
Is something he can't see
Is something he can't see
I wonder what's wrong with baby
My baby just cares for
My baby just cares for
My baby just cares for me

21 Abril 2008

Feriado

Estou chegando à conclusão de que um feriado na segunda é melhor do que na sexta. É muito bom acordar numa segunda e não ter que pensar na hora, nos alunos, em papéis para assinar, em compromissos. C'est très bon! E pela manhã fazia um tempo formidável em Curitiba, então fomos tomar café da manhã fora, tão tarde que a moça perguntou se queríamos café ou almoço. Depois fomos ao parque Tanguá e à Ópera de Arame com nossas visitas. Depois disso eles decidiram ir a uma churrascaria, ninguém pode passar pelo Brasil sem ir numa dessas. Parece. Eu não fui, voltei para casa e pensei em caminhar um pouco à tarde, só pensei, porque estamos em Curitiba e o sol que apareceu pela manhã se liquidificou. Cai a mesma chuva de ontem, tranqüila e monótona. o cachorro, coitado, fica inconformado. C'est la vie! Tento explicar para ele, 'uns dias chove, noutros dias bate sol.'
...
imagem: L'Ange Bleu, Denis Nolet.

20 Abril 2008

Love Me Or Leave Me



Nina Simone - Love Me Or Leave Me
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Um bom domingo pra todo mundo, seja na Itália, em Brasília, em Manaus, na Bélgica, na China, na Austrália...todos os que passarem por aqui.
Em Curitiba chove uma chuvinha romântica.

18 Abril 2008

A CASA DAS BELAS ADORMECIDA

Yasunari Kawabata

Além de A Casa das Belas Adormecidas li os seguintes livros de Kawabata: The Dancing Girl of Izu and Other Stories, O País das Neves, Kyoto e agora estou lendo Contos da Palma da mão. Gostei de todos eles, são histórias curtas, normalmente plenas de sensualidade ou são uma reflexão sobre a existência, sobre a velhice, sobre a vida do próprio autor já que muitas das histórias são retiradas do seu diário. A Casa das Belas Adormecidas foi um dos que mais me impressionou e não sei bem a razão, talvez seja a forma, mas pode ser também a ousadia do autor ao tratar o tema da velhice através do personagem Eguchi, um respeitável senhor bem passado dos 60 anos. Este senhor, primeiro tomado por certa curiosidade, começa a freqüentar o local cujo nome é título do livro. Esta casa não é um bordel, entretanto, pelo menos não nos termos convencionais, é um lugar mais de contemplação que de ‘ação’. Os velhos que pagam para passar a noite na casa estão proibidos de ter relações com as garotas que trabalham ali, elas são pagas, na verdade, para dormir e permitir que sejam contempladas no seu sono e beleza. Por vezes, acariciadas, mas muitas regras devem ser seguidas. As meninas não devem saber com quem passaram a noite e dormem profundamente, não um sono natural, mas induzido por um produto que devem tomar, o cliente também pode tomar o sonífero, se desejar.

Um trecho:

“A decrepitude hedionda dos pobres velhotes que procuravam aquela casa ameaçava atingi-lo dentro de alguns anos. Quanto da imensurável amplitude do sexo, da insondável profundidade do sexo ele teria tocado na sua vida de 67 anos? Além disso, em volta dos velhotes nasciam incontáveis peles renovadas de mulheres, peles jovens, de garotas bonitas. Os desejos de sonhos impossíveis, o lamento pelos dias que lhes escaparam e que estavam perdidos para sempre não estariam impregnando os pecados daquela casa secreta? Eguchi já havia pensado que as garotas adormecidas o tempo todo seriam uma eterna liberdade para os velhotes. As garotas adormecidas e mudas certamente lhes falavam tudo que eles gostariam de ouvir.”

Toda vez que se fala neste livro é obrigatório acrescentar que G. Márquez baseou-se nele para escrever o seu Memória de minhas putas tristes. Não há comparação entre os dois, na minha opinião, claro. Não estou negando que um tenha sido baseado no outro pois o próprio Márquez já o afirmou. Memória de minhas putas tristes é, sempre na minha modesta opinião, o pior livro deste autor. Ainda que eu não tenha lido todos. Não vejo neste último livro nada da beleza e da sutileza do livro de Kawabata.

Yasunari Kawabata nasceu em Osaka em 1899, estudou Literatura na Universidade Imperial de Tóquio, recebeu o prêmio Nobel em 1968.


14 Abril 2008

ESTÔMAGO

Estômago foi o filme deste fim de semana. Ótimo em todos os sentidos, engraçado, mas profundo...não é apenas mais uma comédia (nada contra comédias comédias, adoro rir), os atores são todos muito bons também, eu conhecia poucos, talvez só o Paulo Miklos. João Miguel que faz o papel do cozinheiro amoral, Raimundo Nonato, é o mais impressionante. Claro, ele faz o papel principal, tinha que impressionar mesmo. Bom, o filme já recebeu tantos prêmios por aí que só posso acrescentar, vá ver. Não vou começar a contar a história que fica sem graça. Tinha um amigo italiano com a gente no cinema e ele se divertiu mesmo sem entender. Está certo que em alguns momentos ele disse que riu mais da minha risada. Um momento muito engraçado é quando Nonato está conversando com a prostituta Íria e ela lhe fala do molho putanesca e ele entende 'puta vesga'. E ela fica puta mesmo.

Olha, o ficha técnica está dizendo que é um drama. Que coisa! Não deixa der ser, mas não pára aí.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Estômago
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 112 minutos
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Lusa Silvestri
Música: Giovanni Venosta
Fotografia: Toca Seabra
Produção: Claudia da Natividade (Zencrane); Fabrizio Donvito, Marco Cohen e Gabriele Muccino (Indiana)


Ontem foi aniversário de mi maman, dei os parabéns por telefone mesmo, fazer o quê? Na verdade ela pouco se importa com datas e a coisa mais difícil do mundo é escolher um presente para ela. Como vencer o seu pragmatismo extremo ? Não é vaidosa, nem quando era jovem (que eu saiba), não se interessa por livros, só aqueles que falam de plantas...já comprei um monte....cinema? Esqueça. Encontrarei alguma coisa antes de ir vê-la.
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Mais visitas dos isteitis com mais uma um monte de livros magníficos, sobretudo Nabokov e P. Roth. Ok, estes eu tinha pedido. E o tempinho tão propício à leitura por agora, queria me fechar em algum lugar por duas semanas....Não vai dar.
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imagem:European Travel, Arnie Fisk.

11 Abril 2008



Calor em Curitiba.

O cachorro está ali ‘morto’ em cima do sofá, desconfio que ele não gosta muito de calor, mas no frio também se encolhe todo. Acho que é o beagle mais preguiçoso que já vi. Só não é preguiçoso quando a gente propõe um passeio, pula do sofá, dá uma sacudida, ajeita o pescoço para a coleira e começa a pular feito louco. E não gosta de enrolação, uma vez feita a proposta é melhor agir rápido.

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Alergia ou gripe? Não estou respirando bem.

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Lembrete:

Tomar pelo menos 1 litro de água por dia, comer no mínimo 3 frutas, mais proteína no cardápio, andar 40 minutos....oh lá lá. (já ajudou a lembrar, fui na cozinha e peguei o meu copão de água, deve conter pelo menos 300ml.)

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Foto: Tommy por Aaron.

09 Abril 2008

Xantipa


[Um dos meus contos antigos, antigos...como não ando escrevendo e como estou gripada e sem coragem para nada, aí vai]

Xantipa

‘A mesma paisagem
escuta o canto e assiste
à morte da cigarra’

Matsuo Bashô

Aqui dorme-se bem, o colchão é macio, os lençóis alvos e perfumados. Sim, aqui dorme-se muito bem, não é como no meu pequeno e imundo barraco. Eu gostei dessa ilha tranquila e silenciosa, sobretudo agora. Vou partir contrariada, com o coração aos pedaços, diria se fosse um pouco mais dramática. É duro abandonar tanto conforto mas já é tempo. Amanhã pego o barco e vou por aí, deixo todo mundo aqui que eu estou cansada dessa gente. Obrigada pela cama, pela boa comida, pelos vinhos, pela praia, pelo sol, por tudo….Vou-me. Depois de tantos anos, digo-lhes, finalmente, adeus!

Dona Adélia Campos Guimarães, minha patroa, nem responde, os outros também não. Ninguém mais responde e nem ordena: ‘Xantipa vá buscar isso, por favor.’ ‘Xantipa, nós vamos jogar tênis, prepare um lanche para daqui a duas horas, sim?’ ‘Xantipa, vamos jantar às oito horas, prepare os camarões.’

De manhã lhes sirvo café quente, pães, sucos, limpo a mesa, o chão, troco os lençóis, lavo as toalhas, milhões de toalhas que devem estar sempre limpas e cheirosas. Mas tudo isso é pretérito imperfeito, falo no presente por descuido e costume, agora estão todos lá fora, alguns com a boca já cheia de formigas, outros estão ainda na varanda onde lhes servi o camarão bem temperado. Camarão é uma comida estranha e facilmente perecível, eu mesma detesto camarões, sou alérgica, mas eles gostam, digo, gostavam. O Valter não deve ter comido bastante e me deu trabalho. Droga! Esse imbecil bebia tanto que não se importava em comer. Eu devia ter temperado as bebidas também. Da porta vi quando os outros começaram a sentir tonturas, alguns não tiveram a decência de procurar um canto escondido para vomitar e, vendo aquele espetáculo, vomitei também. Não suporto ver gente vomitando, tenho o estômago fraco, ele dá umas reviradas e, como num ato de solidariedade, vomito junto. Valter, que já estava bêbado, não entendia direito aquelas cenas. Alguns correram para o mar procurando, decerto, se refrescar, então, percebendo que não se tratava de uma brincadeira, Valter quis entrar para telefonar, eu empurrei a porta e me tranquei aqui dentro. Ele esmurrou-a e depois tentou as outras portas mas não tinha muita força, desistiu e tentou chegar ao barco, eu o segui e dei-lhe uma cacetada na cabeça. Merda, eu não contava com isso, mas tive que fazê-lo pois com o barco ele poderia, rapidamente, avisar um dos vizinhos. Foi chato isso, pois uma coisa é envenenar comidas, outra é sair distribuindo cacetadas em cabeça de bêbado. Para o envenamento eu tinha me preparado com muita antecedência, tinha estudado e, além disso, era colocar o veneno e esperar agir, já as cacetadas foram todas improvisadas, uma violência. Foi chato, muito chato, mas está feito.

Agora é apagar o que puder dos meus traços, juntar as minhas poucas roupas e desaparecer. Vou amanhã bem cedo antes que os curiosos apareçam por aqui, o telefone tem tocado cada vez mais, os recados preocupados se acumulam na secretária eletrônica. É tempo.

Leila Silva
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imagem:Bouquet di Tulipani, Eva Barberini

07 Abril 2008

À la Claire Fontaine



Esta canção faz parte da trilha sonora do filme Despertar de uma paixão. É belíssima e a mesma versão do filme pode ser ouvida no youtube.

A la claire fontaine

A la claire fontaine
M'en allant promener
J'ai trouvé l'eau si belle
Que je m'y suis baigné.

Il y a longtemps que je t'aime,
Jamais je ne t'oublierai.
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"Esta canção faz parte de todas as listas folclóricas, tradicionais, infantis e dos Éclaireurs (Escoteiros) franceses. À la Claire Fontaine possui uma força mística e um significado mágico que transcende a simples tradução. Vive no coração dos gauleses."

Fonte: mallemont
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Ontem meu sobrinho que vive na Bélgica fez um ano, que pena que está tão longe, só ouvi o grito dele pelo skype. E como o tempo é relativo, passa tão rápido e tão devagar. Parece que faz um tempão que estive na Bélgica, que vi minha irmã 'aprendendo' a ser mãe, que balancei o Dani do meu jeito desajeitado enquanto escutávamos Nina Simone. Anos, meses, semanas, horas....tudo isso é realmente uma invenção.

03 Abril 2008

GEN - Pés descalços

Keiji Nakazawa, Conrad.

Li esses dias os 4 volumes de GEN - Pés descalços. É muito bom, vi em algum blog que uma professora de história estava indicando para os alunos, para que entendessem melhor o que aconteceu em Hiroshima. Achei excelente a idéia, o livro é, em certo sentido, meio didático mesmo, ou se presta a isso. O autor viveu aquele drama, perdeu o pai, irmã, irmão por causa da bomba e, por mais que tenha evitado abordar o assunto em seu trabalho chegou um momento em que ele sentiu necessidade de contar a sua versão. E que versão! É um livro impressionante, com imagens impressionantes, tristes, macabras, mas é um livro pleno de humor e esperança também. Pensar que até outro dia eu não o conhecia, um amigo 'de leituras' me emprestou os 4 volumes e eu os devorei. Um dos volumes tem prefácio de Art Spiegelman, autor de MAUS, outra HQ que eu (e muita gente) adoro.

"Gen é uma dessas raras histórias em quadrinhos que realmente conseguem realizar a mágica: traços em papel que adquirem vida" (Spiegelman)

Mais aqui.

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"A bomba que destruiu Hiroshima era de urânio. Em Nagasaki, eles testaram a de plutônio. Eram bombas sujas. Na década de 1950, houve o teste da bomba de hidrogênio. As pessoas pensam que a bomba nuclear é uma bomba, mas não é. É uma reação em cadeia. Havia um planejamento para uma bomba de cobalto, mas eles acabaram desistindo porque ninguém podia prever até onde essa reação em cadeia iria."

Paulo Francis

02 Abril 2008

noites


Noite mal dormida. A cada vez que isso acontece eu tenho medo da insônia voltar, tenho horror da insônia. Não dormir uma noite é uma coisa, passar várias noites olhando nervosa para o teto, ligando e desligando a tv, tentando não acordar os outros da casa, tentando ler e não conseguindo se concentrar, pensando e pensando e pensando até que vem a manhã e você se sente um trapo, os nervos à flor da pele, o dia se arrasta e lá vem outra noite. Não, nunca mais, nem que seja à custa de remédio. Nessa época da insônia eu 'reclamei' para uma amiga muito querida, mas que não entendia nada do que eu estava sentindo, ela disse: 'Que maravilha, eu ia adorar, significa mais tempo...'Infelizmente não significa. Sei que não precisamos todos do mesmo número de horas de sono, mas precisamos de algumas horas pelo menos. Mas, enfim, hoje foi só uma noite e nem se compara aos tempos da insônia, nada que dois copos de café não resolvam.
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imagem: Sommeil, Salvador Dali

28 Março 2008

Virginia Woolf

Hoje é aniversário de morte de Virginia Woolf, morreu no dia 28 de março de 1941.

Esta é a carta deixada para o marido, Leonard Woof, quem viu o filme As Horas, lembra-se da leitura desta carta. Emprestei esta tradução do Wikipedia.

"Querido,

Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade. Você sempre foi paciente comigo e realmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.

Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.

V."

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E a versão original:

Dearest, I feel certain I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.

I don't think two people could have been happier than we have been.

V.'

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25 Março 2008

Lendo (ainda) Lolita em Teerã.

Estou lendo muito devagar este Lolita em Teerã, por isso vou comentando assim aos pedaços. Achei curioso o comentário que alguém deixou no meu post logo abaixo sobre o livro "mulher que tem medo de morrer em luta pelos seus direitos merece a servidão imposta". Eu não sei quem é o autor do comentário, talvez seja alguém muito jovem e imaturo. No decorrer da leitura podemos ver, justamente, que as iranianas não ficaram de braços cruzados deixando que a 'revolução islâmica' tomasse conta da vida delas, tampouco ficaram as paquistanesas e tantas outras quando os brutamontes chegaram com suas armas modernas e barbas medievais. Infelizmente a vida não é assim tão fácil e 'servidão' não é só véu, chador, burca, servidão é também um salto de 15 cms, é botox, lipoaspiração, é obsessão por manequim 38 ou menos ainda, como já escreveu uma autora muçulmana. Nós conhecemos pouco esta cultura para julgar.

Voltando ao livro, uma das maravilhosas mudanças que a revolução islâmica fez: mudar a idade legal de casamento para a mulher, antes era de 16 (ou 18, não me lembro bem) e depois da revolução passou a ser 9. Nove, dá para imaginar? Ou seja, legalizaram a pedofilia. E uma das análises de Lolita (o de Nabokov) aceitas por um professor da universidade de Teerã é a de que Lolita é uma garota sedutora que corrompe Humbert e acaba com a sua carreira, ele, um 'intelectual' com tudo para vencer. Se o professor leu o livro, leu muito mal.
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21 Março 2008

Touradas


Touradas

A primeira e única vez que vi uma tourada foi em Barcelona, em 1968, em companhia de João Cabral de Melo Neto. Fiquei horrizado. Uma covardia, disse eu a João, que me respondeu: "Nada disso. A tourada é a afirmação da inteligência sobre a força bruta". Retruquei que a força bruta era a do toureiro, armado de espada para matar um bicho estonteado, depois de passar vários dias no escuro. E tudo isso para as pessoas se divertirem (!?). O jornal de hoje, dia 7 de abril, informa que o Conselho Municipal de Barcelona aprovou uma moção condenando as touradas. Com isto, elas não estarão proibidas na cidade mas de qualquer modo é um primeiro passo para que o sejam um dia, que espero não tardar. A tradição das touradas é milenar mas nem tudo o que é tradição deve ser considerado bom. Esta é uma tradição.

Ferreira Gullar

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Este texto eu encontrei no Portal Literal, já é meio antigo. Nem preciso dizer que concordo com Ferreira Gullar. Acho que a gente tem sim que questionar algumas tradições, muitas tradições deviam ser questionadas, na verdade. As que levam a maltrato de animais e à subserviência da mulher ou qualquer ser humano, por exemplo.


16 Março 2008

Lendo Lolita em Teerã

Comecei a ler este livro de Azar Nafisi meio por acaso. Uma das visitas americanas deste fim de ano deixou o livro aqui em casa e, mais de uma vez o folheei, sem começar a ler visto que tenho meus pré-conceitos com best-sellers. Outro dia, enquanto esperava a máquina de lavar concluir o seu trabalho, abri o livro e fui lendo, acabei presa da história....ou à história, tanto faz.
Ainda estou no começo, mas acho que vou levar a leitura até o fim. Tem, claro, muitas referências à literatura ocidental, sobretudo Nabokov, não poderia deixar de ser. Eu, ao contrário de muita gente, gosto de livros com referências. Às vezes é como se eu estivesse relendo Lolita ou ouvindo alguém comentar a 'sua leitura' de Lolita. E Nafisi é uma bem conceituada professora de literatura.


''Como Lolita, aproveitamos todas as oportunidades para exibir nossa insub